Roberto Alban Galeria

Em forma de família

Coletiva

Abertura 31/Outubro

Exposição01/Novembro até 11/Janeiro, 2020

Horário de visitaçãosegunda a sexta, 10h às 19h
sábado, 10h às 13h

Fotoperformance

Poesia visual

Instalação

Fotografia

Lenora de Barros

Artista visual e poeta, Lenora de Barros é formada em Linguística pela Universidade de São Paulo (USP) e iniciou sua carreira artística na década de 1970. As primeiras obras criadas por Lenora podem ser colocadas no campo da “poesia visual” a partir do movimento da poesia concreta da década de 1950. Palavras e imagens foram os seus primeiros materiais.
Em 1983, LB publica o livro Onde Se Vê, um conjunto de “poemas” um tanto incomuns: alguns deles dispensavam o uso de palavras, sendo construídos como sequências fotográficas onde a própria artista representava diferentes personagens em atos performáticos. Este livro já anunciava o trânsito de Lenora para o campo das artes visuais. Desde então, a artista constrói uma obra marcada pelo uso de diversas linguagens: vídeo, performance, fotografia, instalação sonora e construção de objetos.
Um de seus trabalhos mais significativos, produzido em 1979 com registro fotográfico da irmã, Fabiana de Barros, é Poema, presente na mostra Em Forma de Família. Poema apresenta a artista tocando as teclas de uma máquina de escrever com a própria língua, um tema que reaparecerá em obras como Língua Vertebral (1998) e Linguagem (2008). O trabalho é publicado em 1983 na revista 0 à Esquerda, editada pelo escritor e professor Omar Khouri e pelo poeta visual Paulo Miranda. Ainda em 1983, LB participa da 17ª Bienal Internacional de São Paulo, sob a curadoria geral de Walter Zanini, com poemas visuais em videotexto.
Em 1990, muda-se para Milão e lá permanece por um ano, período em que realiza sua primeira exposição individual Poesia É Coisa de Nada, na Galeria Mercato del Sale, com trabalhos produzidos entre 1985 e 1990.
Entre 1993 e 1996, Lenora assina uma coluna experimental no “Jornal da Tarde”, em São Paulo, intitulada “... umas”. Nesse espaço nasceram obras e ideias que se transformariam em vídeos e fotoperformances autônomos ao longo dos anos seguintes. Depois de mostrar 13 dessas colunas numa vitrine na 11ª Bienal de Lyon, França, em 2011, Lenora decide emoldurá-las e transformá-las em um conjunto maior, extraído de seu arquivo pessoal. A instalação completa, com 65 colunas e 2 vídeoperformances é exibida pela primeira vez em 2013 na Casa Laura Alvim, no Rio de Janeiro, sob a curadoria de Glória Ferreira, e em 2014 é apresentada no Pivô, em São Paulo.
Procuro-me, outra obra emblemática da artista, foi publicada pela primeira vez no suplemento dominical “Mais!” do jornal Folha de S. Paulo, motivada pelos ataques terroristas de 11 de setembro em Nova York. “Procura-se”, expressão usada para se referir aos criminosos investigados pela polícia, é aqui retratada poeticamente em relação à própria artista. Os 4 lambe-lambes de Procuro-me foram criados pela artista a partir de fotografias tiradas em 1994, em um shopping center de São Paulo, usando um software desenvolvido para cabeleireiros e seus clientes. Nas imagens, Lenora aparece com diferentes penteados e com uma expressão espantada que se repete em outras obras suas, como por exemplo Fogo No Olho, de 1994.
Em 2017, com Poema e o vídeo Homenagem a George Segal, (dirigido pelo poeta e videoma-ker Walter Silveira) participa da icônica exposição Mulheres Radicais: Arte Latino-Americana, 1960-1985, curada por Cecilia Fajardo-Hill e Andrea Giunta no Hammer Museum, LA; Brooklyn Museum, NY e Pinacoteca do Estado de São Paulo (2018).
Sua obra é parte de acervos no Brasil e no mundo, dentre eles o do Hammer Museum
(CA, EUA), Museu d’Art Contemporani de Barcelona (Espanha), Daros Latinamerica Collection (Suíça), Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) e Pinacoteca do Estado de São Paulo. Entre as exposições que participou, destacam-se as coletivas e individuais realizadas no Mexic-Art Museum (Austin, EUA, 2002); Revídeo, no Oi Futuro (Rio de Janeiro, 2010); Migros Museum (Zurique, Suíça, 2015); a 4a Thessaloniki Biennial of Contemporary Art (Grécia, 2013); 17a, 24a e 30a Bienal Internacional de São Paulo, entre outras.