Roberto Alban Galeria

Peles do Cárcere

Willyams Martins

Abertura 01/Agosto

Exposição01/Agosto até 31/Agosto, 2013

Horário de visitaçãosegunda a sexta, 10h às 19h
sábado, 10h às 13h

Peles do Cárcere- Willyams Martins

02 a 31 de agosto de 2013
Roberto Alban Galeria de Arte
Rua Senta Pua nº53, Ondina / Salvador /BA
De segunda a sexta das 10 às 19h / sábado, das 10h às 13h
Telefone: 71 3243-3982

A Roberto Alban Galeria de Arte apresenta a partir do dia 1º de agosto para convidados e do dia 02 para o público a exposição: “Peles do Cárcere” – Willyams Martins ,que ocupará a galeria com 30 obras inéditas. As obras apresentadas fazem parte da série Peles Grafitadas, compostas por imagens das superfícies murais das cidades através da técnica de remoção e deslocamento. Desta vez, o artista pesquisou e descolou imagens desgastadas existentes nas paredes da Penitenciária Lemos Brito, onde os presidiários imprimiram suas expressões subjetivas durante anos.

Em Peles do Cárcere, Willyams Martins expõe todo o trabalho de pesquisa realizado no Complexo Penitenciário. “A parede do presídio torna-se um suporte mediador de onde se retiram signos de referências sociais e artísticas, deslocando uma produção visual, um repertório de identificação”, explica o artista. A arte de Martins traz assim um olhar cuidadoso e com aspectos etnográficos sobre a vida no cárcere, ao mesmo tempo em sintonia e em oposição ao cotidiano estritamente urbano da vida moderna.

A exposição conta com o apoio financeiro da Fundação Cultural da Bahia, através do edital da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia – SecultBa, no qual 105 projetos foram inscritos e apenas 15 foram contemplados. A mostra Peles do Cárcere busca lançar um olhar diferenciado das imagens comuns existentes nas superfícies das paredes internas, externas e do urbanismo. “As imagens que estavam encarceradas formam uma polifonia de significados produzindo uma conexão entre o perto e o longe, o interno e o externo, aquilo que foi extraído da parede encarcerada e que agora está livre”, explica o artista.

As imagens que compõem a mostra foram retiradas do presídio através da técnica de remoção, onde se utiliza tecido voille e resina de poliéster aplicado sobre a imagem para remover a “pele” das superfícies. O conteúdo dos desenhos trazem conotações poéticas, filosóficas e abstratas sobre a vida e o cotidiano dentro e fora da cadeia. “Durante a pesquisa pude contar com o auxílio dos detentos. Dessa forma, realizei o levantamento das imagens dentro das celas e lá encontrei desenhos, pinturas, números, frases, rabiscos e colagens. Imagens que os presidiários fazem como desabafo, mostrando sua subjetividade, seu traço individual, refletindo suas características singulares”, explica Martins. Muitas das paredes pelas quais Willyams removeu imagens foram repintadas na reforma geral que a Lemos Brito está passando, esse processo de libertação das imagens preserva na tela oque seria perdido através da reforma.

Movimento PUNK– A arte feita por Willyams Martins tem como fonte de inspiração, além do urbanismo, a música e a estética do punk nacional. Martins foi um dos fundadores da banda “Dever de Classe” nos anos 80. “Na minha época musical, eu gostava de andar pela noite, então via essa degradação, as muitas linguagens expostas nos labirintos da cidade. Era uma verdadeira aglutinação de conceitos da contracultura e da arte conceitual. A arte urbana possui uma metalinguagem que possibilita a evolução nas definições de arte. A arte instaura novas realidades do mundo. A arte que nós criamos é muito mais provocativa, reflexiva, que incita novas conotações da realidade ao invés de ser utilizada apenas como objeto de decoração”, finaliza Martins.

“O objetivo é engendrar um circuito energético, capaz de conectar às boas vibrações dos mangues com a rede mundial de circulação de conceitos pop. Imagem símbolo, uma antena parabólica enfiada na lama” (Fred Zero Quatro) “Oh! São Dimas, foste o bom Ladrão que, roubando o céu e conquistando o Coração agonizante e misericordioso de Jesus, vos tornaste o modelo da confiança, e dos pecadores e arrependidos. Pelas chagas de Jesus Crucificado - na vida e na morte, seja eu justificado!” (Trecho de oração à São Dimas) Pichações, grafites, cartazes, incisões não autorizadas nos espaços públicos e privados. Dissolução destes pigmentos de paredes urbanas, retirando do corpo da cidade: transgressão ao quadrado.

Herdeiro e protagonista do movimento punk soteropolitano nas décadas de 1980 e 90, Willyams Martins desloca o foco dos holofotes do palco e mergulha nas artes visuais produzidas nas sombras das ruas. Neste submundurbano onde a disputa pelo poder é constante, “atropelar uma pichação” chega a ser caso de morte, Martins subverte e radicaliza o jogo. Extrai pinturas das ruas e as introduz no circuito da arte contemporânea, sob sua autoria. As peles são introjetadas no asséptico sistema artístico, contaminando a pureza da galeria.

A apropriação no contexto artístico foi amplamente utilizada nas colagens surrealistas, além de se tornarem ícones da Pop Art. Mimmo Rotella desacomodava cartazes traumatizados pelas ruas e, seguindo esta trilha, podemos chegar a Sherrie Levine, que em After Walker Evans, se apodera das fotografias do famoso estadunidense e as vende com sua assinatura. Em Peles Grafitadas, Willyams dá o nó na rede de autoria, quando expõe imagens que foram removidas de paredes públicas, acoplando novos conceitos e as reconfigurando no espaço expositivo, como um iminente bricoleur.

O cárcere agrupa seres transgressores, que estão reclusos porque infringiram o código penal e por pertencerem a um determinado grupo econômico-social. Ao adentrar neste universo e deslocá-lo para fora dos muros, Martins descortina todo um universo simbólico, trazendo à tona amores, crenças, desilusões, enfim, a humanidade das pessoas são obrigadas a matar o tempo neste panóptico perfeito. Revela-nos outro hemisfério artístico, além de propiciar uma leitura sociológica-antropológica desta tribo isolada.

Francilins

Willyams Martins, Vive e trabalha em Salvador - BA - Brasil
www.martins.art.br

Artista Visual, mestre em Artes Visuais, Escola de Belas Artes, Universidade Federal da Bahia. Possui ampla experiência em oficinas em diversas instituições culturais, como, por exemplo, as de “laboratório instantâneo” em arte contemporânea apresentada no MAM-BA, relacionados à 29 Bienal de São Paulo - Obras selecionadas. Suas obras transversais são permeadas pela articulação de diversos campos estéticos. Participou do documentário “paredes que hablam”, para a TV do México e da Argentina. Participou de uma exposição coletiva em Bogotá - Colombia. Recentemente, está expondo em uma individual na Estação Central do Metrô de Belo Horizonte - MG. Foi selecionado para a 11ª Bienal Nacional de Santos, e seu trabalho intitulado “peles grafitadas”, foi premiado pelo Braskem de Cultura e Arte, além de ter sido selecionado em diversos editais, etc. Atualmente foi selecionado com a oficina “salinas compartilhada” para o Programa BNB de Cultura - Edição 2012, como também foi citado na tese de doutorado: Enterros: Momentos Específicos, de Rebeca Stumm. Já foi professor de Pintura I e Teoria e Técnica de Pintura, na EBA - UFBA. Atualmente é professor de Desenho VI (murais) e Processos Artísticos pela mesma Escola.

FRANCILINS, 1978 Vive e trabalha em Belo Horizonte, MG e Salvador, BA - Brasil
www.francilins.com
+55 31 99870402
+55 71 91734867

Artista visual formado em Antropologia pela UFMG e mestrando em Artes Visuais pela UFBA. Possui ampla experiência como fotógrafo e editor, flerta com o cinema e produz obras híbridas no contexto da arte contemporânea. Suas obras transversais são marcadas pelo atravessamento e articulação de diversas áreas das Humanidades.

Participou de dezenas de exposições coletivas no Brasil, Espanha, Holanda, EUA, Peru, México, Estônia, Eslovênia e Dubai, também realizou quatro mostras individuais. Em 2012 tem confirmadas exposições solo no Uruguai (CMDF), Espanha (Durango/Bilbao) e na Galeria SESC-Paladium (Belo Horizonte).

É curador de artes visuais do FAN – Festival de Arte Negra de Belo Horizonte, coordenou o seminário Coaxar Coxanino: Artes e Sertão (Prêmio FUNARTE Rede de Artes Visuais -2009) e também curou as mostras fotográficas do forumdoc.bh (2005, 2006). Como educador ministra disciplinas em cursos graduação e pós-graduação, assim como seminários de formação em artes visuais e sua interação as ciências humanas e sociais em diversos festivais de arte. Apresentou trabalhos em importantes reuniões científicas, RAA (Argentina), ICA (Mexico), ANPOCS, ABA, entre outras.

Foi premiado e selecionado em diversos salões de Arte e Fotografia, entre eles: Prêmio Wessel de Arte (2008); Prêmio Diário Contemporâneo (2011); Porto Seguro de Fotografia (2005), Leica/Brasil(2003), Picture of Year - EUA(2003), Arte no Ônibus (2003), MEMEFEST - Eslovênia (2004), Itaú-BBA (2002, 2003, 2004). Recebeu bolsa do Itaú Cultural para apresentação de portfólio no II Fórum Latinoamericano de Fotografia de São Paulo (2010) e foi entrevistado no Paraty em Foco – Festival Internacional de Fotografia - na ocasião da homenagem à Fotografia Mineira (2010).

Desenvolveu e defendeu na Antropologia da UFMG, a primeira obra em suporte imagético aceita como monografia/dissertação/tese da universidade brasileira, livro que será publicado até o fim de 2012. Em 2010 e 2011 foi editor de fotografia da revista Sagarana (www.revistasagarana.com.br) e têm centenas de fotografias impressas nas páginas de livros, jornais e revistas, como: National Geographic. Bravo!, Sagarana, Estado de São Paulo e Fotografe Melhor.